A Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) advertiu que a suspensão das operações da Mozal teria consequências económicas substanciais para o país. A federação sindical descreveu o potencial impacto como significativo, considerando o peso da empresa na economia nacional e a dimensão dos despedimentos envolvidos.
Durante a primeira sessão plenária ordinária da Comissão Consultiva do Trabalho (CCT) em Maputo, o secretário-geral da OTM-CS, Damião Simango, afirmou que a Mozal contribui com aproximadamente 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique. A empresa é uma das maiores indústrias do país, impulsionando exportações e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
O alerta surge após a Mozal ter informado o comité sindical da empresa sobre a intenção de proceder a despedimentos coletivos. Esta medida está enquadrada na suspensão de operações prevista para 15 de março, devido a uma disputa sobre as tarifas de eletricidade fornecidas à fundição de alumínio.
Simango declarou que conflitos desta natureza, se mal geridos, poderiam expor fragilidades estruturais no modelo económico moçambicano. O líder sindical referiu-se à dependência de megaprojetos com integração doméstica limitada e ausência de cadeias de valor locais.
A OTM-CS estima que cerca de 5.000 postos de trabalho estão em risco. A federação apelou ao Governo para que assuma as suas responsabilidades constitucionais e alivie o custo de vida dos moçambicanos, em vez de ser mero espectador nas negociações.
A agência Lusa reportou a 12 de fevereiro que a Mozal avançará com despedimentos coletivos como parte da suspensão de operações em março. A empresa emprega diretamente mais de 1.000 trabalhadores.
Segundo documentos enviados ao comité sindical, a Mozal propõe compensações de 6% do salário anual por cada ano de serviço para funcionários com rendimentos acima de sete salários mínimos setoriais. Para os restantes trabalhadores, a proposta é de 40 dias de salário por ano de serviço, entre outras medidas de apoio.
A empresa australiana South32, principal acionista da Mozal, confirmou que suspenderá as operações na fundição de alumínio dentro de um mês. Esta decisão surge apesar dos esforços governamentais para resolver a disputa sobre tarifas energéticas.
Graham Kerr, diretor executivo da South32, descreveu a decisão como definitiva, referindo que já levou ao reconhecimento de uma depreciação de 372 milhões de dólares americanos (313 milhões de euros). A empresa indicou que continuará em diálogo com o Governo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a empresa energética sul-africana Eskom para garantir eletricidade suficiente e acessível até à suspensão em março.
A Mozal adquire quase metade da eletricidade produzida em Moçambique, essencialmente da HCB. A 18 de agosto, o Presidente moçambicano Daniel Chapo afirmou que as tarifas energéticas propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB.
Fonte: Clubofmozambique Com



