O líder da Renamo, Ossufo Momade, anunciou que as suspensões de membros do partido serão estendidas aos ex-guerrilheiros que ocupam ilegalmente as sedes da formação política em várias regiões do país. Momade esclareceu que António Muchanga, ex-deputado, foi suspenso e não expulso, podendo vir a deixar o partido em caso de reincidência.
A Renamo perdeu nas eleições de 2024 o estatuto histórico de líder da oposição, o que agravou a contestação interna ao líder do partido. A 10 de fevereiro, a formação política anunciou a suspensão imediata de António Muchanga como membro, por violação dos estatutos da organização.
O primeiro vogal do Conselho Jurisdicional Nacional, Edmundo Panguene, declarou em Maputo que a decisão foi tomada “atendendo à gravidade, conduta reiterada e impacto público das violações”.
Três dias antes do anúncio da suspensão, num encontro de ex-guerrilheiros que exigem a destituição do presidente da Renamo, António Muchanga defendeu publicamente a saída de Ossufo Momade. Muchanga acusou o líder de “falta de ideias” e de não realizar reuniões regulares conforme os estatutos do partido.
Ossufo Momade afirmou que as sanções serão aplicadas aos ex-guerrilheiros que ocupam as sedes do partido, referindo que “terão de ser sancionados, porque estão a ocupar a nossa delegação”. O líder da Renamo sublinhou que os órgãos do partido estão a trabalhar para encontrar uma solução.
António Muchanga reagiu à suspensão, declarando a 10 de fevereiro que a decisão “não vale nada” e que o Conselho Jurisdicional da Renamo não tem competência para o suspender. Muchanga considerou tratar-se de uma tentativa de ameaça aos que contestam a liderança.
Fonte: O País



