A sequência de liquidações envolvendo o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno reativou no mercado o alerta sobre os riscos associados aos Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Embora classificados como produtos de renda fixa, os CDBs apresentam riscos, nomeadamente o risco de crédito, que consiste na possibilidade de incumprimento por parte do banco emissor. Assim, a análise dos indicadores e da saúde financeira da instituição emissora é considerada fundamental.
O Valor Investe consultou analistas para identificar quais CDBs de bancos merecem uma atenção mais cautelosa. Entre os principais alertas destacam-se bancos de média dimensão com carteiras de crédito mais arriscadas e instituições com questões de governança.
Os especialistas sublinham a importância de estar atento a produtos que oferecem retornos significativamente superiores aos do mercado, especialmente quando comparados com instituições de perfil semelhante. Esta situação pode indicar dificuldades do banco emissor na captação de recursos, podendo futuramente afectar a capacidade de pagamento aos investidores.
Outro aspecto relevante é o funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Embora actue como mecanismo de protecção, o processo de reembolso pode ser demorado e, em alguns casos, resultar em perdas financeiras. Por exemplo, aplicações superiores a 250 mil reais estão sujeitas ao limite de cobertura do FGC. Adicionalmente, atrasos no reembolso podem reduzir o valor final recebido, uma vez que o FGC apenas corrige os ganhos até à data de liquidação do banco.
Importa referir que os bancos mencionados pelos analistas não se encontram, segundo informação disponível, em risco iminente de liquidação. Contudo, características financeiras específicas destas instituições levam os analistas a considerá-las menos seguras comparativamente a outras.
Segundo quatro analistas das casas Eleven, Suno, Nord Investimentos e da gestora Hike Capital, consultados pelo Valor Investe, destacam-se os seguintes casos:
- **Digimais**: Gabriel Nakaya, analista da Nord Investimentos, refere questões de governança, incluindo litígios judiciais com fundos de investimento e inconsistências no lastro da carteira de crédito identificadas em auditorias. Foi também registada uma tentativa falhada de venda do banco. Guilherme Almeida, da Suno, acrescenta que a estrutura de capital fechado do Digimais limita o acesso a documentos necessários para uma análise completa da situação da instituição.
- **Arbi**: Nakaya indica que o banco apresentou um Índice de Basileia de 10,3%, abaixo do mínimo de 10,5% exigido pelo Banco Central. A instituição registou prejuízos em 2024 e no primeiro semestre de 2025. Cerca de 95% da sua carteira está classificada como crédito de alto risco, aumentando a probabilidade de inadimplência futura.
- **Omni**: Segundo Almeida, da Suno, o banco possui uma estrutura operacional reduzida, necessitando de remunerar os investidores acima da média para os atrair. Registou uma deterioração no índice de eficiência operacional e prejuízos em exercícios anteriores. Fernando Siqueira, da Eleven, complementa que o banco mantém liquidez para compromissos de curto prazo, mas existem dúvidas quanto a prazos mais longos.
Fonte: Valor Econômico



