A indústria de ciberfraudes movimenta milhares de milhões de euros no Camboja, com call centers a operar apesar das ofensivas anunciadas pelas autoridades. Sihanoukville, no sul do país, é identificada como um dos maiores polos mundiais de cibercriminalidade.
Recrutamento de novos trabalhadores ocorre em minutos através do Telegram. Jornalistas da Sky News, disfarçados como candidatos a emprego, foram convidados para uma entrevista no 31.º andar de um edifício em Sihanoukville. No primeiro dia de trabalho, equipados com câmaras ocultas, receberam instruções na sala 105 para representar uma empresa legítima dos Estados Unidos, utilizando um guião preparado para enganar vítimas. Responsáveis pelo esquema garantiram aos trabalhadores que não havia motivos para receio de operações policiais, alegando que “a polícia avisa-nos antes de qualquer rusga”.
A empresa K Force, sediada nos Estados Unidos, confirmou não ter qualquer ligação ao call center e condenou o uso fraudulento do seu nome.
Muitos trabalhadores nestes centros são recrutados sob falsas promessas de emprego e acabam privados de liberdade. Athena, uma indonésia recentemente resgatada, descreveu dias marcados por abusos e coerção, afirmando: “Fui enganada e forçada a trabalhar. Sabia que, se recusasse, seria castigada.”
As autoridades cambojanas afirmam ter realizado várias operações de resgate e desmantelamento. Um exemplo é o complexo “Brother” em Phnom Penh, agora abandonado após uma das maiores rusgas dos últimos meses. No local permanecem quadros com instruções sobre manipulação emocional de vítimas, promessas de bónus por maiores ganhos e ameaças de punição.
Organizações internacionais e analistas acusam o Estado de lucrar com a presença destes centros e de ignorar casos de escravatura moderna. O ministro da Informação rejeitou as acusações de cumplicidade, garantindo que as organizações criminosas estão a ser desmanteladas.
Fonte: Sicnoticias Pt



