Dados da Euromonitor compilados pelo The Good Food Institute (GFI) indicam uma desaceleração no segmento de carne à base de plantas no Brasil. Em 2021, as vendas no retalho brasileiro cresceram 36% em relação ao ano anterior, totalizando 576 milhões de reais. Em 2024, o aumento foi de 14%, atingindo 1,12 mil milhões de reais.
Especialistas referem que, antes da pandemia, os produtos plant-based eram pouco conhecidos no Brasil, com acesso limitado para a maioria da população. Durante a pandemia de COVID-19, o mercado ganhou visibilidade, impulsionado por preocupações com saúde e questões climáticas. Contudo, as projecções de crescimento revelaram-se superestimadas.
A empresa americana Beyond Meat, fundada em 2009 e considerada pioneira nas vendas de proteína vegetal nos Estados Unidos, tem registado prejuízos sucessivos nos últimos anos, atribuídos principalmente à queda na procura.
No sector de leite vegetal, empresas como a sueca Oatly também enfrentaram desafios. Em 2021, a Oatly levantou 1,4 mil milhões de dólares na sua oferta pública inicial na Nasdaq, com as acções a atingirem um pico de 574 dólares em junho desse ano. Actualmente, as acções são cotadas em cerca de 12 dólares.
Os produtos plant-based são frequentemente classificados como alimentos ultraprocessados, o que levou a recomendações para reduzir o seu consumo. A necessidade de processamento intensivo de matérias-primas, como a soja, e comparações com a qualidade nutricional de produtos de origem animal têm influenciado a percepção do mercado.
As projecções de longo prazo para o sector têm variado. Em 2021, a Bloomberg Intelligence estimou que o mercado global atingiria 162 mil milhões de dólares até 2030. Em janeiro deste ano, a MMR Statistics projectou que o sector global de alimentos à base de plantas passaria de 30,41 mil milhões de dólares em 2025 para 54,41 mil milhões de dólares em 2032.
No mercado brasileiro, Ricardo Laurino, da Sociedade Vegetariana Brasileira, espera uma procura aquecida este ano, destacando a maior disponibilidade de opções veganas em restaurantes e redes de retalho como indicador do estabelecimento do mercado no país.
Sérgio Pflanzer, professor da Unicamp, prevê que o sector não repetirá o crescimento inicial registado nos primeiros anos de operação no Brasil. Segundo o académico, a procura deverá diminuir, dado que o mercado não amadureceu durante o período de investimento da pandemia.
Fonte: Valor Econômico



