A Argentina registou esta quinta-feira, 19 de janeiro, a quarta greve geral desde o início da atual gestão governamental. A paralisação coincide com o debate na Câmara dos Deputados sobre uma proposta de reforma laboral já aprovada pelo Senado na semana anterior.
A greve, com duração de 24 horas, foi convocada pela principal central sindical do país. O protesto ocorre num contexto económico marcado por indicadores de contração da atividade industrial, com mais de 21 mil empresas encerradas nos últimos dois anos e a perda de aproximadamente 300 mil postos de trabalho, segundo dados sindicais.
O projeto legislativo em discussão inclui medidas como a extensão da jornada de trabalho para 12 horas, redução de indemnizações, possibilidade de pagamentos em bens ou serviços e limitações ao direito de greve. O governo defende que estas alterações visam reduzir a informalidade laboral, que afeta mais de 40% do mercado de trabalho, e criar emprego através da diminuição da carga tributária para os empregadores.
Para avançar com a discussão na Câmara dos Deputados, o partido governamental removeu do texto aprovado pelo Senado um artigo controverso que propunha a redução salarial para entre 50% e 75% durante licenças médicas.
O setor dos transportes aderiu ao protesto, com a cancelamento de 255 voos que afetaram cerca de 31 mil passageiros, segundo informações da Aerolíneas Argentinas. Trabalhadores portuários também participaram na greve, paralisando terminais importantes como o de Rosário, um dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas.
Embora a greve convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) não inclua mobilizações de rua, vários sindicatos e agrupamentos políticos anunciaram marchas até à Praça do Congresso, em Buenos Aires. Na semana anterior, durante o debate no Senado, manifestações terminaram em confrontos com forças policiais e resultaram em cerca de 30 detenções.
O Ministério da Segurança emitiu um comunicado na terça-feira, 17 de janeiro, alertando para riscos na cobertura jornalística dos protestos e estabelecendo uma zona exclusiva para meios de comunicação numa das ruas laterais da praça.
Fonte: Folha de S.Paulo
