Os Estados Unidos impuseram restrições de visto a três autoridades não identificadas do governo do Chile, alegando que estas minaram a segurança regional. A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano na sexta-feira.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou, em comunicado, que as autoridades chilenas envolvidas “deliberadamente dirigiram, autorizaram, financiaram, forneceram apoio significativo e/ou realizaram atividades que comprometeram infraestruturas críticas de telecomunicações e minaram a segurança regional no nosso hemisfério”.
Esta ação ocorre durante o período de transição no Chile, onde o presidente de esquerda Gabriel Boric será substituído por José Antonio Kast, de direita, cuja posse está marcada para 11 de março.
O Ministério das Relações Exteriores do Chile declarou, em nota, que foi surpreendido pelas restrições de visto e que não havia sido oficialmente informado sobre as mesmas. O governo chileno “rejeita essas acusações e descarta categoricamente qualquer participação em atividades que comprometam a segurança do continente ou de outros países”.
O chanceler Alberto van Klaveren convocou o embaixador dos Estados Unidos, Brandon Judd, para solicitar explicações sobre os fundamentos das restrições de visto e a identificação das autoridades envolvidas. O ministério acrescentou que o anúncio norte-americano contraria o protocolo diplomático, devido à ausência de notificação prévia, e que a medida está em desacordo “com a densidade e diversidade” do diálogo e cooperação bilateral, referindo-se aos Estados Unidos como um “aliado histórico e estratégico” do Chile.
O Chile é o único país da região com isenção de visto para os Estados Unidos, permitindo que os seus cidadãos, em geral, não necessitem de visto para viajar para território norte-americano, conforme reportado pela agência Bloomberg.
O Departamento de Estado confirmou que os indivíduos mencionados e os seus familiares imediatos ficarão “geralmente inelegíveis” para entrada nos Estados Unidos, e quaisquer vistos americanos que possuíssem foram revogados.
Marco Rubio expressou a expectativa de trabalhar com a administração do presidente eleito José Antonio Kast nas prioridades partilhadas de segurança no hemisfério.
Fonte: Valor Econômico



