No último domingo, 15 de fevereiro, a escola de samba Académicos de Niterói realizou um desfile no Sambódromo do Rio de Janeiro em homenagem ao presidente Lula. O evento gerou questionamentos sobre o seu contexto político, ocorrendo em ano eleitoral.
Em 2006, o Partido dos Trabalhadores criticou a escola de samba Leandro de Itaquera, de São Paulo, por incluir esculturas gigantes dos candidatos José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB na época, no seu desfile, também próximo das eleições.
O material distribuído aos jurados pela Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, denominado “Livro Abre Alas”, detalha as escolhas estéticas da Académicos de Niterói. O documento exalta explicitamente o presidente em exercício. O samba-enredo intitulava-se “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
No enredo apresentado, foram citados como adversários históricos a ditadura militar e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não foram mencionados outros opositores como Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor de Mello.
O enredo destacou a origem operária de Lula, referindo-se aos trabalhadores do ABC em mobilização contra empresas da região. Não foram citados no desfile os intelectuais da USP de linhagem marxista nem a igreja católica da Teologia da Libertação, outros grupos que participaram na fundação do Partido dos Trabalhadores.
O desfile ocorreu no contexto das eleições presidenciais brasileiras. A Folha de S.Paulo publicou a análise do evento.
Fonte: Folha de S.Paulo



