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Bloco de Carnaval de São Paulo Defende Inclusão e Segurança em Cortejos

O bloco Saia de Chita, que atua no Carnaval de São Paulo desde 2007, caracteriza-se pela sua natureza comunitária e amadora. A organização do coletivo não recebe patrocínio privado, dependendo de doações, recursos de eventos e, recentemente, de apoio do edital da prefeitura, embora estes fundos não cubram todos os custos associados à realização do cortejo.

Em 2024, o bloco optou por realizar o seu desfile em ruas mais largas e, pela primeira vez, utilizou um caminhão de som. Esta decisão implicou o cumprimento de diversas regras, incluindo a instalação de uma corda física com cordeiros identificados, a garantia de margens de segurança entre a corda e o veículo, e a proibição de acesso ao interior desse espaço a pessoas que não estejam directamente envolvidas na organização do evento.

A organização do Saia de Chita sublinha que a corda não constitui um camarote ou um dispositivo de segregação, mas sim uma medida de segurança. No interior da corda encontram-se a bateria, a harmonia, o corpo de baile e a equipa de apoio. A entrada é permitida apenas a quem colabora na realização do bloco, embora sejam feitas excepções pontuais para pessoas em condições especiais, em situação de risco ou com problemas de saúde, dentro dos limites de espaço disponíveis.

O colectivo refere que, durante o cortejo de 2026, não ocorreram incidentes preocupantes, o que é considerado um aspecto positivo. No entanto, reconhece a dificuldade de uma mãe estar sozinha com duas filhas pequenas num bloco de Carnaval e manifesta disponibilidade para reflectir sobre formas de tornar o evento mais agradável para todos os participantes.

O Saia de Chita foi pioneiro entre os colectivos paulistanos ao criar, em 2017, o bloco Sainha de Chita, dedicado especificamente a crianças e suas famílias. A organização defende que o Carnaval deve ser convidativo e seguro para crianças, mães, idosos, pessoas com deficiência e todos os participantes, sublinhando que esta segurança não se consegue apenas com a corda.

A segurança no Carnaval é descrita como uma questão estrutural, relacionada com a gestão do espaço urbano, o encerramento e limpeza das vias, as rotas de saída, a disponibilidade de casas de banho químicas ao longo do percurso, a distribuição de água e o comportamento dos foliões. É também referida a necessidade de uma actuação policial que garanta o direito à folia, em vez de a reprimir, como tem acontecido em anos anteriores em São Paulo.

O artigo menciona o ataque da Guarda Civil Metropolitana ao bloco Vai Quem Quê na terça-feira de Carnaval, onde foram registados actos de violência contra mães e crianças, sendo esta uma das principais denúncias do ano. O Saia de Chita apresenta-se como um colectivo liderado maioritariamente por mulheres, muitas delas mães, que rejeita o assédio e defende o Carnaval de rua como uma forma de promover uma cidade mais democrática.

Fonte: Folha de S.Paulo

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