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Angola acelera transição para agroindústria moderna: estratégia nacional visa reduzir importações e fortalecer segurança alimentar

O Governo angolano está a implementar uma transformação estrutural no sector agrícola, com o objectivo de converter os sistemas tradicionais em cadeias agroalimentares modernas e sustentáveis. Esta mudança estratégica, anunciada pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, durante a 8ª conferência da revista Economia e Mercado, representa um ponto de viragem decisivo para a economia nacional.

A Estratégia Nacional de Reconversão dos Sistemas Alimentares em Agroalimentares (2026-2035) constitui o quadro formal deste compromisso, visando não apenas a diversificação económica, mas também a redução progressiva das importações e o reforço da segurança alimentar. Esta abordagem integrada envolve o sector financeiro e diversos parceiros, alinhando esforços para criar uma indústria agrícola competitiva e geradora de emprego, particularmente para os jovens.

Contudo, o caminho para esta transformação enfrenta desafios significativos. Angola possui aproximadamente 35 milhões de hectares de terras aráveis, mas apenas 15% (seis milhões) estão actualmente cultivados, revelando um potencial subexplorado. O ministro identificou como principais condicionalismos a escassez de sementes certificadas, fertilizantes e correctivos de solos, factores que limitam drasticamente a produtividade.

Os números são elucidativos: o consumo actual de fertilizantes situa-se em apenas sete quilogramas por hectare, uma cifra irrisória quando comparada com os 400 kg necessários para optimizar a produção. Esta insuficiência explica, em parte, porque a agricultura familiar – responsável por mais de 80% da produção alimentar nacional – continua com capacidades limitadas, apesar do crescimento de 8,6% registado na campanha agrícola 2024/2025.

Para colmatar estas lacunas, Angola necessitaria de 800 mil toneladas de fertilizantes anuais. Em resposta, o Governo está a promover a construção de complexos de fertilizantes em Soyo (Zaire), com capacidade para produzir entre 1,3 e 3,8 milhões de toneladas de ureia anualmente. Esta iniciativa visa reduzir a dependência de importações, que actualmente cobrem apenas 3% das necessidades nacionais.

Paralelamente, a conferência abordou temas complementares como biocombustíveis, agricultura energética, gestão sustentável de recursos florestais e integração comunitária nos projectos agrícolas empresariais. Estes debates reflectem uma visão holística do desenvolvimento rural, onde a produção em larga escala se articula com a conservação dos ecossistemas e a criação de valor no meio rural.

A transformação em curso representa, portanto, não apenas uma oportunidade de investimento, mas um imperativo estratégico para Angola. Ao modernizar a sua base agrícola, o país poderá não apenas satisfazer o mercado interno, mas também posicionar-se como actor relevante no panorama agroalimentar regional.

Fonte: Angola Press

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