A construção da unidade industrial Calombolo Química, localizada no município da Baía Farta, província de Benguela, atingiu um marco significativo com 85% de execução física, segundo informações divulgadas pela ANGOP. Esta fábrica, propriedade do grupo Adérito Areias, representa um investimento estratégico de 25 milhões de euros, financiado maioritariamente pela banca alemã através do Deutsche Bank, com os restantes 10% assegurados pelo proprietário.
Analisando o calendário do projecto, inicialmente programado para 18 meses (de 12 de Novembro de 2024 a 17 de Maio de 2025), o director-geral Mário Rui Ferreira revelou um atraso de 45 dias devido a questões financeiras. A inauguração está agora prevista para 30 de Junho do corrente ano, embora faltem ainda os acabamentos nas áreas administrativas e exteriores, incluindo escritórios, recepção, refeitório, canalização, energia e arruamentos.
Do ponto de vista tecnológico, esta instalação destaca-se por incorporar equipamento de ponta a nível mundial, posicionando-se como a primeira unidade do género em Angola e a terceira em África. Os electrolizadores, descritos como “o coração da unidade”, são particularmente notáveis, assim como o laboratório de análises químicas. A fábrica está a preparar-se para solicitar a certificação ISO9001, reforçando o seu compromisso com padrões internacionais de qualidade.
A capacidade produtiva é impressionante: implantada numa área de cinco mil metros quadrados, a unidade tem capacidade para produzir 65 toneladas diárias de produtos finais (soda cáustica, hipoclorito de sódio e ácido clorídrico), com previsões de atingir duas mil toneladas mensais. Contudo, Ferreira esclarece que serão necessários pelo menos seis meses após a inauguração para alcançar 100% de produção, dado que o processo depende de condições específicas como calor e pressão.
O aprovisionamento de recursos revela-se um aspecto crítico da operação. As três matérias-primas principais são sal (fornecido pelas Salinas Calombolo), água e energia. Face à escassez de água potável na região, a fábrica implementará um sistema de dessalinização que processará 400 mil litros diários de água do mar, aproveitando apenas metade dessa quantidade. No que respeita à energia, a unidade necessitará de 1,5 a 2 megawatts por hora sem interrupção, contando com quatro geradores de 750 kVA cada como alternativa à rede eléctrica.
O impacto económico deste projecto é multifacetado. Além de criar 45 postos de trabalho (incluindo 10 jovens engenheiros angolanos formados localmente e com formação complementar em Espanha), a produção deverá reduzir as importações nacionais em pelo menos 10%. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, Angola importa actualmente cerca de 650 milhões de dólares em produtos químicos anualmente.
Os produtos finais terão aplicações diversificadas, desde o tratamento de água para consumo humano até às indústrias petrolífera, mineira e têxtil. Entre os principais clientes identificados estão a Refriango e a Soba Catumbela, que utilizam soda cáustica para lavagem, desengorduramento e desinfecção de garrafas retornáveis. Paralelamente, a fábrica produzirá pequenas quantidades para a população, facilitando a produção artesanal de sabão e o desenvolvimento de pequenos negócios locais.
No plano ambiental, Ferreira afirma que “está tudo acautelado”, mencionando um projecto futuro para aproveitamento do hidrogénio nos geradores. Enquanto essa solução não é implementada, o hidrogénio será libertado para a atmosfera.
Olhando para o futuro, o grupo Adérito Areias já projecta uma segunda unidade, com espaço reservado para o efeito e intenções de financiamento por parte de clientes. Contudo, esta expansão só avançará após a primeira fábrica estar a funcionar em pleno durante pelo menos seis meses, demonstrando uma abordagem cautelosa e faseada ao crescimento industrial.
Fonte: Angola Press



