Luanda – O escritor José Luís Mendonça defendeu esta sexta-feira, em Luanda, que os músicos da antiga geração devem criar espaço para ensinar aos novos artistas a importância de cantar em línguas nacionais, com vista a preservar a identidade angolana através da música.
O responsável falou à ANGOP por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, que se assinala no sábado, 21 de fevereiro, com o objetivo de proteger e salvaguardar as línguas faladas em todo o planeta.
De acordo com José Luís Mendonça, é fundamental existirem encontros regulares entre músicos mais velhos e a nova geração de cantores, para transmitir-lhes a riqueza e a importância da música nas línguas bantu.
“Podemos convencer os cantores mais velhos, como Elias Dya Kimuezo, Dom Caetano ou Kota Bué (Calabeto) a organizarem encontros regulares com a nova geração de cantores para transmitir-lhes conhecimento neste aspeto”, afirmou.
Para o escritor, esta forma de proceder poderá contribuir para evitar o desaparecimento de algumas línguas nacionais, frisando que a maioria das línguas africanas em Angola estão preservadas mas ainda não devidamente valorizadas.
Segundo o entrevistado, atualmente ouve-se principalmente jovens a cantar em língua portuguesa e em ritmos e estilos ocidentais.
A título de exemplo, referiu que o kuduro, mesmo tendo uma rítmica afro, é exclusivamente cantado em português porque não se está a dar o devido valor às línguas de matriz africana.
José Luís Mendonça, escritor e jornalista, nasceu a 24 de novembro de 1955, em Golungo-Alto, na província angolana do Cuanza-Norte.
Licenciado em Direito pela Universidade Agostinho Neto, tem exercido jornalismo em colunas de diversos jornais nacionais.
É também docente universitário de Língua Portuguesa e Direito na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.
A sua experiência na área do ensino da Língua inclui aperfeiçoamento da Língua Portuguesa no exercício do Jornalismo, para jornalistas de diversos órgãos.
O Dia Internacional da Língua Materna foi proclamado pela UNESCO em 1999, sendo comemorado em todos os países membros deste organismo, com o objetivo de proteger e salvaguardar as línguas faladas em todo o planeta.
A escolha do dia 21 de fevereiro para comemorar o Dia Internacional da Língua Materna serve para lembrar a população mundial da tragédia que ocorreu em fevereiro de 1952, na cidade de Daca, no Bangladesh.
Nesta data, vários estudantes foram mortos pela polícia enquanto protestavam pelo reconhecimento da sua língua, o bengalês, como um dos seus dois idiomas oficiais.
Fonte: Angola Press