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Manifestações em Berlim exigem mísseis Taurus para a Ucrânia enquanto apoio social aos refugiados é revisto

Na noite de terça-feira, 24 de fevereiro, várias centenas de manifestantes concentraram-se em Berlim para exigir o fornecimento de mísseis de cruzeiro Taurus à Ucrânia, num apelo concreto que contrasta com as grandes manifestações pela paz de há quatro anos. Os protestos, que convergiram para a avenida Unter den Linden e o Portão de Brandemburgo, iluminado com as cores da bandeira ucraniana, incluíram paragens simbólicas como a embaixada russa, onde se ouviram acusações de que a Rússia é um “Estado terrorista”.

A participação de expatriados georgianos, como Rusudan Kaptanishvili, que vive na Alemanha há 12 anos, sublinha as preocupações regionais mais amplas. Kaptanishvili afirmou que a Geórgia sente-se ameaçada após a eleição de um governo pró-Rússia no final de 2024, vendo a Ucrânia como um escudo para toda a Europa. Esta perspectiva reflecte os receios de que a influência russa se expanda, transformando a Geórgia numa “segunda Bielorrússia”.

Enquanto isso, a ucraniana Anna Nekhoroshykh, refugiada em Berlim, expressou o temor de que uma negociação de paz que ceda territórios como o Donbass à Rússia possa apenas adiar um conflito futuro. A sua situação ilustra o dilema dos refugiados: beneficiando de um dos sistemas de apoio social mais completos da Europa, mas enfrentando incertezas quanto ao futuro. A Alemanha acolheu 1,3 milhões de ucranianos desde 2022, liderando a resposta europeia, seguida pela Polónia com cerca de 1 milhão e pela Espanha com 260 mil.

No entanto, a solidariedade inicial está a esmorecer. As manifestações reduziram-se a cerca de 5.000 participantes, e o Parlamento alemão debate alterações ao sistema de apoio social. Actualmente, os refugiados ucranianos recebem o “Bürgergeld”, uma versão local de renda básica, mas propostas do governo de Friedrich Merz poderão reduzir os benefícios de 563 para 455 euros, limitar prazos de acolhimento e substituir o seguro de saúde regular por um esquema mais restrito. Cortes em cursos de adaptação e língua agravam os desafios de integração, especialmente para profissões que exigem fluência em alemão.

A ala conservadora da coligação governamental, incluindo a CDU do primeiro-ministro, argumenta que a generosidade alemã atraiu um fluxo excessivo de refugiados, ecoando debates da crise síria de 2015. Merz defende que a Ucrânia deve focar-se na retenção dos seus jovens, num contexto em que o relaxamento da lei marcial em 2025 facilitou saídas. Dados governamentais mostram que o desemprego entre refugiados ucranianos na Alemanha caiu de 42,4% em outubro de 2024 para 36,7% um ano depois, mas permanece elevado comparado com outros países, onde os ucranianos são mais frequentemente empregados em funções de baixa qualificação.

Pesquisas sugerem, contudo, que os ucranianos valorizam mais oportunidades salariais do que benefícios sociais, indicando que o foco deveria estar na integração económica. O artigo conclui que, enquanto as manifestações em Berlim clamam por apoio militar decisivo, a revisão das políticas de acolhimento reflecte uma tensão entre a solidariedade inicial e as realidades políticas e económicas de longo prazo, num cenário onde a guerra na Ucrânia continua a moldar a segurança europeia e as dinâmicas migratórias.

Fonte: Folha de S.Paulo

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