A Câmara Municipal do Porto anunciou uma medida significativa na reconfiguração do espaço público da Avenida da Boavista, estabelecendo um limite de velocidade de 30 km/h na faixa direita desta importante artéria da cidade. Esta decisão surge como resposta direta à entrada em funcionamento do metrobus e à impossibilidade de criar infraestruturas segregadas para modos suaves de transporte, representando uma solução intermédia num contexto de crescente pressão por mobilidade sustentável.
O vereador da mobilidade, Hugo Beirão (IL), explicou à Lusa que a autarquia optou por uma via partilhada entre automóveis e utilizadores de bicicletas ou trotinetes, reconhecendo explicitamente a falta de espaço físico para implementar uma ciclovia dedicada. Esta abordagem reflete um compromisso pragmático entre as necessidades de diferentes utilizadores da via pública, num cenário onde as opções ideais se revelam logisticamente inviáveis.
Analiticamente, esta medida insere-se num plano mais amplo denominado “rede 30”, que visa estabelecer zonas de velocidade reduzida em áreas residenciais e escolares do Porto. Beirão sublinhou que a implementação será faseada, começando precisamente pelos quarteirões adjacentes à Avenida da Boavista, com o objetivo declarado de promover uma mudança cultural nos comportamentos de mobilidade urbana, alinhando-se com práticas observadas em grandes cidades europeias.
Do ponto de vista operacional, a fiscalização do novo limite de velocidade dependerá inicialmente de sinalização vertical e horizontal, com a possibilidade futura de instalação de radares – incluindo “radares pedagógicos” – caso se verifique dificuldade no cumprimento voluntário. Esta abordagem gradual revela uma estratégia consciente de gestão da transição, evitando medidas mais intrusivas como lombas numa primeira fase.
Contextualmente, esta decisão ocorre num momento de transformação profunda da mobilidade portuense, marcada pela implementação do metrobus e por debates intensos sobre a partilha do espaço público. A opção pela via partilhada, em contraste com soluções segregadas, representa um modelo específico de governação urbana que privilegia a flexibilidade sobre a especialização do espaço viário.
Interpretativamente, esta medida pode ser vista como um teste-piloto para políticas de mobilidade mais abrangentes, servindo tanto como solução imediata para um problema concreto como laboratório para futuras intervenções na rede viária do Porto. A referência explícita às “grandes cidades europeias” sugere uma intencionalidade de posicionamento internacional, enquanto a ênfase na mudança de mentalidades aponta para objetivos que transcendem a mera regulação do tráfego.
Fonte: Sicnoticias Pt



