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Renascimento das Máquinas de Escrever: Mercado de Nicho Atrai Nova Geração com Preços até 15 Mil Reais

Num mundo dominado pela tecnologia digital, assiste-se a um fenómeno curioso: o renascimento das máquinas de escrever como objetos de desejo, com preços que podem atingir os 15 mil reais. Este mercado de nicho, explorado por poucos especialistas, tem vindo a ganhar nova vida, impulsionado por uma combinação de nostalgia, valor histórico e influência cultural.

A Oliveira Typewriter, situada num sobrado do centro de São Paulo, é um exemplo emblemático deste fenómeno. Ronaldo, o proprietário, dedica-se à restauração e venda destas peças, num negócio que, apesar de especializado, se revela economicamente viável. A restauração de uma máquina pode custar cerca de 5 mil reais, enquanto o preço final de venda varia conforme a avaliação do comerciante, podendo chegar aos 15 mil reais. A ausência de concorrência significativa neste segmento permite que estes valores, aparentemente proibitivos, sejam aceites por uma clientela específica.

O interesse renovado por estas máquinas deve-se, em parte, a fatores socioculturais. Durante a pandemia, muitos jovens, confinados em casa, descobriram a máquina de escrever através de grupos de literatura e curiosidade histórica. Este ressurgimento foi amplificado por influências culturais, nomeadamente a utilização de uma máquina vintage Royal 10 por Taylor Swift no vídeo da música “Fortnight”, em 2024. Este facto teve um impacto tangível nas vendas, com empresas como a Philly Typewriter a registarem um aumento significativo na procura, especialmente entre pessoas com menos de 30 anos.

Celebridades como John Mayer e Tom Hanks, este último com uma coleção de mais de 100 máquinas, têm também contribuído para este renascimento, conferindo-lhe uma aura de coolness e autenticidade. Para os novos entusiastas, a atração vai além do valor sentimental; trata-se de uma experiência sensorial única: o som das teclas, a textura do papel, a estética vintage e a oportunidade de se afastar temporariamente dos dispositivos digitais.

Ronaldo, que cresceu com uma compulsão por colecionar e compreender o funcionamento das coisas, vê na restauração destas máquinas não apenas um negócio, mas uma missão. Cada peça que recebe tem uma história, muitas vezes ligada a memórias familiares, e o seu trabalho visa devolver-lhes a vida, cobrando por esse serviço especializado. No entanto, não tem ilusões sobre um regresso em massa das máquinas de escrever; reconhece que a sua utilização pode ser um desafio para uma geração impaciente, habituada à facilidade de correção digital.

O futuro deste mercado parece depender da continuidade deste interesse de nicho. Ronaldo planeia trabalhar até ao fim da vida, sem ambicionar herdeiros para o negócio, prevendo que, quando chegar a hora, haverá muitos interessados em adquirir a sua coleção. Enquanto isso, empresas como a sua mantêm-se como guardiãs de um património tecnológico e cultural, escondidas, mas resilientes, no coração das cidades.

Fonte: Folha de S.Paulo

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