O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou, esta terça-feira (24), a detenção da administradora distrital de Xai-Xai, na província de Gaza, por alegado envolvimento no desvio de donativos destinados às vítimas das cheias que afectaram a região, segundo informação da Lusa.
A confirmação ocorre um dia após o Governo do Distrito de Xai-Xai ter desmentido, através das suas plataformas digitais, informações que circulavam nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação social sobre a detenção da administradora por suspeitas de desvio de fundos e bens de ajuda humanitária. Na publicação, o executivo distrital afirmou que a informação não era “verdadeira” e garantiu que a administradora “não está presa”.
Em conferência de imprensa realizada em Gaza, o porta-voz do SERNIC naquela província, Zaqueu Mucambe, declarou que três funcionários públicos foram detidos no âmbito das investigações, incluindo a administradora distrital de Xai-Xai, o director do gabinete da governadora provincial e o fiel de armazém.
Segundo o responsável, no dia 22 de Fevereiro de 2026, por volta das 20h00, foi desencadeada uma operação nos armazéns do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), onde dois funcionários públicos foram surpreendidos a efectuar o carregamento de produtos fora do horário estabelecido.
As diligências subsequentes permitiram apurar que parte dos bens alegadamente subtraídos estaria escondida nas residências dos implicados, onde foram apreendidas quantidades consideradas significativas de produtos.
Os bens apreendidos estão avaliados em cerca de 4000 dólares. Entre os produtos constam 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas cada, três caixas de óleo vegetal de dois litros, dois sacos de feijão manteiga de 50 quilogramas, nove embalagens de açúcar e um número não especificado de colchões.
O SERNIC indicou ainda que estão a decorrer investigações para apurar o eventual envolvimento de outros funcionários públicos no alegado esquema, acrescentando que os detidos serão presentes ao juiz de instrução criminal para os trâmites legais subsequentes.
De acordo com dados do INGD, as cheias registadas em Janeiro provocaram 27 mortos e afectaram 724 131 pessoas, sendo a província de Gaza a mais atingida. Desde o início da actual época chuvosa, em Outubro, o número total de óbitos ascende a 239, com cerca de 870 000 pessoas afectadas em todo o País.
O impacto económico e social das intempéries é igualmente expressivo: 555 040 hectares de áreas agrícolas foram afectados, dos quais 288 016 hectares considerados perdidos, atingindo 365 784 agricultores. Registou-se ainda a morte de 530 998 animais, entre bovinos, caprinos e aves, além de danos em 7845 quilómetros de estradas, 36 pontes e 123 aquedutos.
No mesmo período, foram activados 149 centros de acomodação, que acolheram 113 478 pessoas, mantendo-se actualmente 41 em funcionamento, com pelo menos 33 905 deslocados.
O caso surge num contexto de forte pressão sobre os mecanismos de gestão de ajuda humanitária, numa altura em que o País enfrenta uma das épocas chuvosas mais severas dos últimos anos, com impactos significativos na produção agrícola, na segurança alimentar e nas infra-estruturas públicas, factores que poderão agravar os desafios macroeconómicos e sociais já enfrentados pela economia nacional.
Fonte: Diarioeconomico Co Mz
