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Tensões Geopolíticas no Médio Oriente Abalam Bolsas Asiáticas, Mas Coreia do Sul Brilha com Recorde do Kospi e Alta da SK Hynix

Os mercados financeiros asiáticos encerraram a semana num cenário de divergência acentuada, onde as tensões geopolíticas no Médio Oriente exerceram uma pressão generalizada, contrastando com desempenhos excecionais em setores específicos, nomeadamente na Coreia do Sul. A incerteza decorrente do ultimato de dez dias emitido pelo Presidente norte-americano Donald Trump ao Irão, relativo ao programa nuclear iraniano, dominou o sentimento dos investidores, levando a perdas significativas em várias praças bolsistas. Este clima de apreensão foi exacerbado pela ausência de negociações na China continental e em Taiwan devido ao feriado do Ano Novo Lunar, reduzindo a liquidez e amplificando a volatilidade.

No Japão, o índice Nikkei registou uma queda de 1,12%, enquanto o Topix desvalorizou 1,13%, refletindo não apenas o impacto das tensões EUA-Irão, mas também expectativas quanto a um possível aumento antecipado das taxas de juro pelo Banco do Japão (BoJ). Comentários do presidente da Associação Bancária Japonesa, que sugeriram a possibilidade de uma subida já em Março, adicionaram pressão adicional, alimentando a cautela entre os investidores. Kazuhiro Sasaki, da Phillip Securities, destacou à Bloomberg que esta incerteza monetária está a pesar significativamente sobre o Nikkei, num contexto em que as ações japonesas já sofriam com o spillover das preocupações globais.

Paradoxalmente, o aumento da incerteza geopolítica beneficiou setores específicos, como o da defesa, cujas cotadas asiáticas ganharam terreno. Especialistas como Tony Sycamore, da IG Australia, analisam que o reforço militar norte-americano serve um duplo objetivo: preparar um potencial ataque a alvos iranianos e intensificar a pressão diplomática. Sasaki acrescentou que o nível de cautela atual parece superior ao observado durante incidentes anteriores, como o ataque a instalações nucleares no ano passado, alertando para os riscos de uma escalada que poderia afetar diretamente rotas críticas como o Estreito de Ormuz.

Em contraste com a tendência negativa, a Coreia do Sul emergiu como um ponto de luz nos mercados asiáticos. O índice Kospi, com forte exposição a empresas ligadas à Inteligência Artificial (IA), subiu 2,31%, atingindo um novo recorde histórico de 5809,91 pontos e consolidando-se como o índice bolsista com melhor desempenho global desde o início do ano. Este avanço foi impulsionado em grande parte pela SK Hynix, cujas ações saltaram mais de 6% após a BlackRock, a maior gestora de fundos do mundo, ter aumentado a sua participação na fabricante de semicondutores para mais de 5%. Este movimento sublinha a atratividade contínua do sector tecnológico, particularmente em semicondutores, mesmo num ambiente geopolítico volátil.

No Japão, apesar das perdas, as expectativas em relação às políticas orçamentais da primeira-ministra Sanae Takaichi ofereceram algum suporte aos preços das ações, especialmente entre investidores estrangeiros, demonstrando como fatores domésticos podem atenuar impactos externos. Na Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 avançaram ligeiramente 0,40%, indicando uma possível resiliência periférica, embora o foco permaneça nas dinâmicas asiáticas e no Médio Oriente.

Em síntese, a sessão ilustra a complexidade dos mercados globais, onde riscos geopolíticos e oportunidades setoriais coexistem, com a tecnologia a destacar-se como um motor de crescimento mesmo em tempos de incerteza.

Fonte: Diarioeconomico Co Mz

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