O Governo angolano comprometeu-se com um investimento significativo de 31,7 milhões de dólares para a importação de quase 12 mil toneladas de sementes em 2025, conforme revelado por Augusto da Silva, director-geral do Serviço Nacional de Sementes (Sense), durante o conselho consultivo do Ministério da Agricultura e Florestas. Este desembolso, descrito pelo próprio responsável como “muito alto”, evidencia uma dependência estrutural do país em relação a insumos agrícolas externos, levantando questões sobre a sustentabilidade e autonomia do sector agrícola angolano.
A análise detalhada dos dados mostra que a maioria das sementes importadas (6.331 toneladas) foram de cereais e leguminosas, com um custo de 14,8 milhões de dólares. Paralelamente, foram adquiridas 2.554 toneladas de sementes de hortícolas por 11,4 milhões de dólares e 2.405 toneladas de sementes de batata reno por 2,3 milhões de dólares. Estes valores contrastam fortemente com a produção interna de sementes no ano agrícola de 2025, que se fixou em apenas 6.930 toneladas, concentrada principalmente nas culturas de milho, feijão e trigo, e garantida por apenas duas empresas. Esta disparidade entre importação e produção nacional sublinha uma vulnerabilidade crítica na cadeia de abastecimento agrícola.
Augusto da Silva destacou ainda um problema específico com as sementes de hortícolas, que são “infelizmente as mais contrabandeadas”. No ano passado, 73,98% das 269 amostras analisadas deste tipo de sementes foram submetidas a análise laboratorial, reflectindo preocupações com a qualidade e legalidade destes produtos. O responsável alertou também para o curto prazo de validade destas sementes e a sua rápida deterioração quando mal conservadas, factores que agravam os riscos associados a esta dependência externa.
Face a este cenário, o Sense propõe-se a aumentar a produção interna para cerca de 7.500 toneladas de sementes no próximo ano agrícola, abrangendo culturas como milho, feijão, arroz, trigo, soja, massango e massambala. Esta iniciativa representa um esforço para reduzir a dependência das importações, mas a escala ainda limitada da produção nacional face às necessidades do país sugere que o caminho para a autossuficiência será longo e exigirá investimentos estratégicos contínuos.
Fonte: Diarioeconomico Co Mz



