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Trânsito de São Paulo regressa a níveis pré-pandemia com tendência de agravamento

O trânsito na cidade de São Paulo está a deteriorar-se, com projeções que apontam para um regresso aos níveis de congestionamento registados em 2019, antes da pandemia. Diariamente circulam na cidade entre 6 e 7 milhões de veículos, enquanto são registados entre 1.200 a 1.300 novos veículos. A infraestrutura rodoviária não tem acompanhado o crescimento da procura.

Um indicador preocupante surgiu na última pesquisa Origem e Destino do Metropolitano de São Paulo, referente a 2023. Pela primeira vez, o transporte individual superou o coletivo nas deslocações diárias: 51,2% das viagens foram realizadas em automóveis, camiões, táxis, veículos de aplicação e motocicletas, enquanto 48,8% utilizaram autocarros, comboios e metro. Em 2017, estes valores eram de 45,9% para o individual e 54,1% para o coletivo.

A lentidão no trânsito tem aumentado anualmente desde 2020, com uma única redução em 2023. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que a média diária de congestionamentos em dezembro, mês tradicionalmente movimentado, passou de 110 km em 2020 para 515 km em 2025. Em 2019, este valor atingiu 570 km.

Em 2025, apesar do alívio proporcionado pelas férias, as condições meteorológicas têm agravado a situação. No dia 10 de fevereiro, às 7h30, registaram-se 1.054 km de lentidão, enquanto no dia 6, às 19h30, o valor foi de 1.053 km. O recorde ocorreu a 9 de agosto de 2024, com 1.510 km, seguido de 1.486 km a 9 de dezembro do mesmo ano.

No primeiro quadrimestre de 2025, a média diária de lentidão foi de 359 km, um aumento de 8% face ao período homólogo de 2024, mas ainda abaixo dos 499 km de 2019. Anualmente, são registados aproximadamente 400 mil novos veículos na cidade.

A redução do trabalho remoto, que foi uma solução durante a pandemia, contribui para o aumento do tráfego. Os veículos de aplicação, que representam cerca de 560 mil unidades (10% da frota circulante), e as motocicletas são apontados como fatores que reduzem a utilização do transporte coletivo.

As vendas de veículos de duas rodas atingiram 1,98 milhões de unidades em 2025, um crescimento de 13% face a 2024. No segmento de automóveis e comerciais leves, o volume comercializado foi de 2,55 milhões de unidades, o mais elevado da década, com um aumento de 2,58%.

Perante este cenário, as soluções para a lentidão do tráfego passam pelo reforço do transporte coletivo, que necessita de inverter a tendência atual, e pela promoção da mobilidade ativa, incluindo a utilização de bicicletas e deslocações a pé. O uso da bicicleta tem vindo a crescer, mas as políticas públicas continuam a privilegiar o modal rodoviário.

Fonte: Folha de S.Paulo

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