Quase um mês após a passagem devastadora da tempestade Kristin pelo território continental português, a situação de normalização energética permanece incompleta. Segundo dados atualizados da E-Redes, às 07:00 desta sexta-feira, aproximadamente 4.500 clientes nas localidades afetadas continuavam sem fornecimento de eletricidade. Este número representa uma redução face aos 6.500 clientes reportados no balanço anterior de quinta-feira, indicando progressos, ainda que lentos, nos trabalhos de restauro.
A persistência destas interrupções de energia, um mês após o evento meteorológico extremo, levanta questões sobre a resiliência das infraestruturas energéticas portuguesas face a fenómenos climáticos de intensidade crescente. A E-Redes mantém o foco no restabelecimento completo do serviço, mas a dimensão dos danos materiais – que incluem destruição parcial ou total de habitações, empresas e equipamentos – continua a condicionar a velocidade de intervenção.
É importante contextualizar que estes “clientes” correspondem a pontos de entrega de energia, o que significa que cada unidade pode representar múltiplas pessoas afetadas. Assim, o impacto real na população é significativamente superior aos números oficiais, com milhares de cidadãos a enfrentar condições de vida precárias num período já prolongado.
A tempestade Kristin, que atingiu Portugal em 28 de janeiro, integra-se num conjunto de depressões – incluindo Leonardo e Marta – que causaram 18 mortos, centenas de feridos e desalojados, além de danos materiais extensos em várias regiões. As consequências abrangeram desde quedas de árvores e estruturas até ao encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, criando um cenário de disrupção generalizada.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram particularmente afetadas, tendo sido declarada situação de calamidade em 68 concelhos até 15 de fevereiro. Apesar do término oficial deste estatuto, os efeitos práticos da tempestade continuam a fazer-se sentir no quotidiano de milhares de portugueses, destacando os desafios de recuperação pós-catástrofe num contexto de alterações climáticas.
Fonte: Sicnoticias Pt






