Um número crescente de americanos, particularmente entre os mais jovens, recorre a bebidas energéticas para prolongar períodos de vigília ou melhorar o desempenho físico. Aproximadamente dois terços dos adolescentes reportam consumo ocasional, sendo que a maioria dos consumidores diários tem menos de 35 anos.
Estas bebidas contêm tipicamente entre 100 a 300 miligramas de cafeína por porção, quantidade que frequentemente excede a presente numa chávena de café preto. Embora a cafeína proporcione efeitos estimulantes, os energéticos incluem frequentemente outros componentes como vitaminas do complexo B e extratos vegetais, que os fabricantes associam a melhorias na concentração e resistência.
Joe Zagorski, toxicologista e professor assistente na Universidade Estadual de Michigan, afirma que existe escassa evidência científica sobre benefícios para a saúde provenientes dos aditivos e vitaminas presentes nestas bebidas. “A grande maioria dos efeitos obtidos de um energético deve-se à cafeína”, refere o especialista.
A composição dos energéticos varia conforme a sua classificação regulatória. Produtos comercializados como bebidas estão sujeitos a requisitos de rotulagem de ingredientes, embora sem especificação quantitativa obrigatória. Já os classificados como suplementos podem não ter essa obrigatoriedade, utilizando por vezes designações genéricas como “mistura para foco” ou “mistura energética”.
Entre os ingredientes comuns encontram-se substâncias químicas derivadas de plantas como guaraná, erva-mate e chá verde, que podem conter cafeína adicional não contabilizada na rotulagem. John Higgins, cardiologista do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em Houston, alerta que consumidores regulares podem assim exceder os 400 miligramas diários considerados seguros para a maioria da população.
Alguns destes componentes vegetais, como ginseng e ginkgo biloba, não são tecnicamente estimulantes mas podem aumentar o fluxo sanguíneo. Anna Svatikova, cardiologista da Clínica Mayo em Rochester, Minnesota, refere que a combinação com cafeína pode originar efeitos adversos como palpitações cardíacas ou aumento da pressão arterial.
As vitaminas do complexo B, essenciais para a conversão alimentar em energia, estão frequentemente presentes em quantidades que excedem os valores diários recomendados. Richard Bloomer, professor e diretor do Centro de Pesquisa em Nutracêuticos e Suplementos Alimentares da Universidade de Memphis, indica que a maioria da população obtém quantidades suficientes através de dieta equilibrada, excretando o excesso pela urina. Higgins acrescenta que doses elevadas a longo prazo podem originar pressão arterial baixa, danos hepáticos e neuropatia em alguns casos.
Aminoácidos como a taurina, presente naturalmente no organismo e em alimentos proteicos, são também componentes habituais. Existem evidências limitadas sobre possíveis melhorias no desempenho físico quando combinada com cafeína. Contudo, estudos em animais sugerem potenciais interações com medicamentos antidepressivos e associação com arritmias cardíacas.
Outro aminoácido frequentemente incluído é a L-teanina, presente em folhas de chá. Estudos de pequena dimensão indicam que a combinação com cafeína pode melhorar humor, cognição e estado de alerta, embora sejam necessárias investigações mais abrangentes.
A deficiência em vitaminas do complexo B é mais comum em idosos, pessoas com problemas gastrointestinais e indivíduos com dietas restritivas. Bloomer recomenda que, perante deficiência diagnosticada por exame sanguíneo, seja preferível a utilização de suplementos específicos em vez do consumo de bebidas energéticas.
Fonte: Folha de S.Paulo



