O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, declarou que as empresas necessitam de medidas de recuperação económica devido ao impacto das cheias ocorridas em Janeiro. Massingue afirmou que está em curso um processo de levantamento das perdas.
Durante a primeira sessão plenária ordinária da Comissão Consultiva do Trabalho (CCT), em Maputo, Massingue expressou sentimentos de pesar às famílias afectadas e solidariedade ao tecido empresarial impactado.
O responsável referiu que a CTA está a realizar um levantamento estatístico rigoroso das empresas afectadas e dos postos de trabalho em risco. Esses dados serão partilhados com parceiros sociais para que as medidas de recuperação económica e social se baseiem em evidências concretas.
Massingue destacou que uma das consequências mais visíveis das cheias foi a interrupção das cadeias logísticas, com destaque para o corte da Estrada Nacional Número 1 e 2, que estiveram intransitáveis por cerca de duas semanas. Foram também registados impactos na destruição da produção agrícola, sobretudo no sul do país.
Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa em Outubro, foram afectadas 856 mil pessoas em todo o país, com 215 mortos e 314 feridos. Foram abertos 137 centros de acomodação, que albergaram 112,9 mil pessoas. Actualmente, 51 centros permanecem activos, com 41.197 pessoas.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Alemanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão, China e países vizinhos já enviaram ajuda humanitária de emergência.
Desde 7 de Janeiro, foram danificadas 246 unidades sanitárias, 635 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 554.603 hectares de cultivo, dos quais 287.810 foram dados como perdidos, atingindo 365.137 agricultores. Estima-se a morte de 530.998 cabeças de gado, incluindo bovinos, caprinos e aves.
Moçambique encontra-se em estado de alerta vermelho face à actual época chuvosa, caracterizada por chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do país. As autoridades activaram acções de antecipação às cheias e inundações nessas regiões.
O país é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1.255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os eventos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos, entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas.
Fonte: Diarioeconomico Co Mz



