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Desemprego em mínima histórica em 2025 oculta desigualdades estruturais no mercado laboral brasileiro

A descida do desemprego para 5,6% em 2025, atingindo o nível mais baixo em duas décadas em 20 dos 27 estados brasileiros, representa um marco positivo, mas esconde problemas estruturais profundos no mercado de trabalho. Segundo William Kratochwill, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este progresso, impulsionado pelo aumento do rendimento real e pelo dinamismo económico, mascara desigualdades regionais persistentes, com elevados níveis de informalidade e subutilização da força de trabalho, particularmente nas regiões Norte e Nordeste.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua revela que, apesar da queda generalizada do desemprego em 21 estados e no Distrito Federal, as disparidades regionais permanecem acentuadas. Enquanto o Sul registra uma taxa de desemprego de apenas 3,4%, o Nordeste e o Norte apresentam valores significativamente mais elevados, de 7,9% e 6,6%, respectivamente. Esta divergência sublinha a fragilidade do crescimento económico, que não se traduz em oportunidades equitativas em todo o território nacional.

A informalidade laboral, que atinge 38,1% a nível nacional, assume proporções alarmantes no Norte (51,9%) e no Nordeste (50,8%), contrastando com cerca de um terço da população nas outras regiões. Este fenómeno reflete ocupações de baixa produtividade, que limitam o potencial de desenvolvimento económico e social nestas áreas. Paralelamente, a taxa de subutilização da força de trabalho, que mede a ‘mão de obra desperdiçada’ incluindo desempregados, subempregados e inativos que desejam trabalhar, varia entre 7,9% no Sul e 24,6% no Nordeste, com uma média nacional de 14,5%.

Estes indicadores sugerem que a melhoria superficial do desemprego não resolve questões fundamentais como a precariedade laboral e a ineficiência na alocação de recursos humanos. Kratochwill alerta que estes factores travam o crescimento económico nas regiões mais afectadas, perpetuando ciclos de pobreza e desigualdade. Assim, embora a queda do desemprego em 2025 seja um sinal encorajador, ela requer uma análise crítica que vá além dos números agregados, focando nas estruturas subjacentes que moldam o mercado de trabalho brasileiro.

Fonte: Valor Econômico

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