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Crédito Privado no Brasil: Como o Mercado Amadureceu e Onde Estão as Oportunidades Agora

Olha só, o mercado de crédito privado no Brasil tem vindo a amadurecer bastante nos últimos três anos, especialmente depois de toda a confusão com a fraude na Americanas e a recuperação judicial da Light. Os gestores estão convencidos de que este tipo de investimento já conquistou o seu espaço nas carteiras dos investidores, que agora percebem melhor como funciona e quais os riscos envolvidos.

Para 2026, com a expectativa de que os juros comecem a descer, o segredo para obter bons retornos nos fundos de crédito privado está nas operações estruturadas. Estamos a falar de coisas como CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) e Fiagros (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais).

A Juliana Tomaz, gestora de crédito da AMW (que é a gestora de ativos da Warren), acredita que 2026 vai continuar a ser um bom ano para captar dinheiro. Mas atenção: se os fundos continuarem a captar muito, os spreads (a diferença entre o que se paga e o que se recebe) tendem a ficar mais apertados, o que pode afetar a rentabilidade.

Os gestores de crédito privado dizem que manter a taxa Selic nos 15% não é bom para as empresas, porque mesmo que aumentem as receitas, os lucros acabam por cair devido às despesas financeiras. É aqui que entra o nível de maturidade do mercado: hoje em dia, há uma avaliação muito mais crítica das garantias reais, o que ajuda a reduzir os riscos.

“Os riscos de crédito existem, claro, mas temos de pensar constantemente em como os mitigar. Não tenho dúvidas de que o Brasil é o país do crédito, desde que seja bem concedido”, diz a Tomaz.

Para além de garantias sólidas, que são comuns nas empresas cotadas em bolsa, é preciso ter um olhar mais atento nas operações estruturadas. “Neste momento de spreads apertados, conseguimos melhorar a rentabilidade para o investidor com operações estruturadas. Mas o gestor tem de estar alerta, porque quanto mais garantias o ativo tiver, menor é o risco de perder tudo”, explica.

A palavra-chave na avaliação de crédito é governança. Muitas vezes, a empresa até tem bons resultados e atua num sector promissor, mas se a gestão não tiver experiência, isso pode ser motivo suficiente para evitar o investimento.

O António Pedro Leão Teixeira, sócio e gestor dos fundos de debêntures de infraestrutura da JGP, sublinha a importância de ter uma visão ampla do ativo. No caso da Americanas, a JGP já tinha uma posição muito curta bem antes do problema vir ao de cima. “Era uma empresa de que não gostávamos. Quando olhávamos para o fluxo de caixa, era difícil perceber porque estavam sempre a gastar dinheiro. Por outro lado, tinham acesso a diferentes fontes de financiamento, nunca imaginámos que iam à falência. Depois do caso da Americanas, reavaliamos estas situações”, conta.

A JGP vê muito potencial nos FIDCs, mas não descuida as questões de governança. “É um segmento com muito potencial, que consegue reduzir a volatilidade dos fundos. Mas se houver riscos de governança, não avançamos”, afirma Teixeira.

O Jean-Pierre Cote Gil, gestor de crédito da Vinland, também vê oportunidades nos ativos estruturados, mas com cautela. No início do ano, a gestora fechou alguns fundos para captação. “A captação estava muito forte na virada do ano, queríamos trabalhar melhor a carteira sem pressão. Se mantiveres os fundos abertos quando há muita captação, não consegues alocar o dinheiro da melhor forma, porque a oferta diminui”, explica.

Fonte: Valor Econômico

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