Uma expedição inédita de 17 dias através de seis países africanos, realizada numa motocicleta eléctrica alimentada exclusivamente por energia solar, revelou-se um marco significativo para o futuro da mobilidade sustentável em África. A viagem de 6.200 quilómetros, entre o Quénia e a África do Sul, demonstrou a viabilidade prática dos veículos eléctricos (VE) mesmo nas condições frequentemente adversas do continente, caracterizadas por infraestruturas limitadas e constrangimentos energéticos.
Investigadores da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, apresentaram esta quinta-feira um documentário sobre a expedição “Recharging Hope”, realizada em parceria com um fabricante queniano de motocicletas eléctricas. Segundo Stephan Lacock, investigador do Electric Mobility Lab, esta foi provavelmente a primeira vez que uma motocicleta eléctrica construída em África percorreu a África subsaariana numa distância tão extensa, estabelecendo inclusive um recorde não oficial de 1.009 quilómetros percorridos num único dia.
A rota, que passou pela Tanzânia, Malawi, Zâmbia e Botsuana, foi totalmente alimentada por dez painéis solares e uma bateria, enfrentando desafios como tempestades no Malawi, granizo na Tanzânia e nuvens de trovoada ao longo do percurso. Lacock descreveu a diversidade geográfica da jornada, desde plantações de banana e café a 2.200 metros de altitude até às vastas planagens do Serengeti.
A escolha de testar uma motocicleta prende-se com o facto de este ser o meio de transporte predominante na África subsaariana, mas os investigadores também analisaram o potencial dos miniautocarros eléctricos. Thinus Booysen, outro investigador envolvido, destacou que a África do Sul, apesar de ser o país mais industrializado do continente, está a ficar para trás na adopção da mobilidade eléctrica, com nações como o Quénia, Uganda e Ruanda a progredirem mais rapidamente.
As razões para este atraso incluem a produção sul-africana de veículos com motores de combustão para exportação, uma rede de carregamento insuficiente e uma rede eléctrica “ligeiramente frágil” e envelhecida. Em contraste, as vendas de carros eléctricos em África atingiram apenas cerca de 11.000 unidades em 2024, representando menos de um por cento do total, segundo a Agência Internacional de Energia, enquanto na Europa aproximadamente um em cada vinte carros em circulação é eléctrico.
A mensagem central do projecto é clara: África possui recursos verdes abundantes, como a energia solar, que podem ser aproveitados para gerar electricidade localmente, desde que seja instalada a infraestrutura necessária. Booysen sublinhou que o continente é “abençoado com uma abundância de electricidade verde”, enfatizando a necessidade de investir em infraestruturas sustentáveis para impulsionar a transição energética.
Fonte: Clubofmozambique Com



