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Da Sala de Cinema ao Sofá: A Transformação Cultural do Consumo Cinematográfico em Portugal

Num momento em que se assiste ao encerramento progressivo de salas de cinema de norte a sul de Portugal, desde Braga até Tavira, surge uma reflexão profunda sobre a mudança de paradigma no consumo de cinema. O podcast Expresso da Manhã, conduzido por Paulo Baldaia, proporciona uma análise aprofundada desta transição cultural, convidando o crítico de cinema do Expresso, Jorge Leitão Ramos, e o jornalista João Miguel Salvador para um diálogo que vai além da mera constatação de factos.

Jorge Leitão Ramos recorda com nostalgia a sua primeira experiência cinematográfica há 67 anos, contrastando-a com a realidade atual. A sua descrição do Cinema Monumental em Lisboa — com capacidade para 2170 espectadores e arquitetura que “parecia um palácio com aqueles vastos foyers de grandes lustres, mármores, esculturas e imensas carpetes” — simboliza uma era em que o cinema era não apenas entretenimento, mas um evento social e uma experiência sensorial completa. O crítico confessa que “queria estar ali, viver naquele lugar”, revelando como os espaços cinematográficos históricos transcendiam a sua função utilitária para se tornarem lugares de pertença cultural.

Esta análise vai além da simples comparação entre passado e presente, explorando as implicações socioculturais da migração do consumo cinematográfico das salas escuras para as salas de estar. A conversa no Expresso da Manhã examina como a digitalização, o surgimento de plataformas de streaming e as mudanças nos hábitos de consumo reconfiguraram não apenas onde vemos filmes, mas como os experienciamos e nos relacionamos com eles.

O encerramento de multiplexes por todo o país não representa apenas uma mudança comercial, mas uma transformação na forma como a sociedade portuguesa se relaciona com a sétima arte. A análise sugere que estamos perante uma redefinição do próprio conceito de “ir ao cinema”, onde a conveniência e a personalização do consumo doméstico competem com a experiência coletiva e imersiva das salas tradicionais.

Esta transição levanta questões fundamentais sobre o futuro da cultura cinematográfica em Portugal: como preservar a dimensão social do cinema quando este se torna cada vez mais individualizado? Que papel terão as salas de cinema num cenário dominado pelo consumo digital? E como evoluirá a crítica cinematográfica num ecossistema mediático fragmentado?

O podcast diário Expresso da Manhã, que apresenta análise das notícias “que sobrevivem à espuma dos dias” de segunda a sexta-feira, utiliza este caso específico para ilustrar transformações culturais mais amplas, demonstrando como mudanças aparentemente tecnológicas ou comerciais carregam profundas implicações sociais e culturais.

Fonte: Sicnoticias Pt

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